24/06/2018

Mega-resenha de respeito: Hunter x Hunter 2011

Oi lá para todos! Finalmente uma resenha de Hunter x Hunter, não? Como todo mundo tá careca de saber, Hunter x Hunter é um dos meus títulos favoritos, então nada mais merecido do que falar dele. Tem duas versões do anime: a de 1999 e a de 2011 e eu particularmente prefiro a versão que muita gente odeia: o tão temido remake de 2011, que vou falar aqui nesse post -talvez ainda fale do clássico, já que assisti os dois mais de uma vez. Recentemente fiz um post comparando os dois e falo mais do porquê da preferência, pra quem quiser, está aqui.

Sinopse
Gon cresceu na Ilha da Baleia com sua tia Mito-san e quando completou 12 anos, decidiu se tornar um hunter assim como seu pai, Ging, que o abandonou para seguir sua carreira como um hunter profissional. Por curiosidade em saber o que seria tão legal a ponto de um pai abandonar seu filho, Gon sai de casa pra fazer a prova do Exame Hunter, que tem uma série de desafios que buscam testar suas habilidades, como de sobrevivência e trabalho em equipe.

Bom, e o que é um hunter? O nome já diz muita coisa, mas dentro do universo do anime, ser um hunter é ser um indivíduo de elite e licenciado para rastrear tesouros secretos, animais exóticos e até mesmo outras pessoas -como o caso de Gon, que vai atrás do seu pai-. Ser hunter é simplesmente caçar, e pode-se caçar qualquer coisa. Uma organização, livros antigos, sabedoria, catalogar animais desconhecidos, enfim... O trabalho de um hunter é bem diversificado e cada hunter tem uma especialidade, embora isso não seja uma regra.

Durante o exame, Gon, conhece e faz amizade com Kurapika e Leorio, posteriormente também conhece Killua. Com o grupinho formado, ele se junta, se separa e se reencontra durante toda a obra, acho que só no Exame eles estão, de fato, juntos, sabe? E é bom isso porque dá uma liberdade pra todos, eles não deixam de ser amigos simplesmente porque cada um quer conquistar seus objetivos. Pelo contrário, eles se ajudam e são muito companheiros no decorrer do anime.

Amigos podem seguir caminhos diferentes, mas não deixam de ser amigos.” - Gon Freecss.

Personagens
Temos quatro protagonistas, onde cada um tem uma individualidade e um objetivo diferente, sem ter que depender do outro, eles até se separam muitas vezes -na verdade eles passam mais tempo separados do que juntos-. Eu expliquei mais sobre dilemas de cada um nesse post.

A começar com o Gon: Ele é só uma criança, então ele não tem nada de especial no sentido de superpoderes míticos e demônios voando, mas ele consegue passar o carisma e a inocência de uma criança de verdade, é muito agradável tê-lo em cena. Ele não tem um protagonismo tão marcante como em outros shounens, o Gon erra e aprende com seus erros e é ótimo ver o amadurecimento dele -não só dele, mas como de todos os personagens- com o passar dos episódios.

O Killua Zoldyck é melhor amigo do Gon e é contrastante por ser criado para ser um assassino sangue frio e também, por causa do Gon, ser uma criança brincalhona. Ele evolui muito com o tempo, se tornando mais humano, com mais empatia, notamos o quanto ele parece mais feliz com um amigo. E falando em amigo, o Killua tem uma luta interna sobre ter ou não um amigo, trair ou não o objetivo de sua família -no caso, ser um assassino- e isso é intrigante e causa certa emoção pra quem vê.

Existe personagem mais tranquilo que o Kurapika? Provavelmente não, ele é muito inteligente e sensato. Assim como o Killua, o Kurapika também tem certo lado sombrio, o lado que ele quer se vingar de quem matou todo o seu clã. Mas por que alguém ia querer assassinar um clã inteiro? O clã Kuruta -clã do Kurapika- tem o que chamam de “olhos escarlate”, que acendem quando os membros do clã estão com raiva, a cor dos olhos é considerada uma das coisas mais lindas segundo o universo do anime e a galera paga muito caro por eles. Nem preciso falar o quanto é legal quando vemos esse lado dele, o que cria um mistério em volta do personagem.

Agora o Leorio, bem... Ele só queria ser Hunter pra pagar os estudos de medicina, pra quê outra coisa? Eu seria esse tipo de pessoa, claramente. Nem sei o que falar do Leorio, ele é o personagem que mais causa aquele alívio cômico e diferente de personagens desse tipo, ele não é forçado e também transpõe o bom senso de quem assiste através das cenas. O objetivo dele é ser médico, então ele não tem tanto potencial assim para lutas, exceto no último arco do anime que nos mostrou que no tempo de ausência dele, o Leorio estava treinando e aposto que ele ainda tem muito que surpreender.

Parte técnica
A parte da produção... Genial. A animação fluida é fantástica e o próprio character design dos personagens por si só já é surpreendente, visto que no mangá a arte não é a prioridade do autor e é muito estranha e incoerente. As cores vivas me incomodam porque particularmente vejo animes com um ar mais sombrio, mas devo concordar que a claridade e luminosidade dos espaços combinam com o espírito da série. Mais uma vez a MadHouse sabe ser flexível, então não é tudo claro e brilhante sempre, a questão da luminosidade vai mudando de acordo com a saga ou a situação, temos o exemplo da saga York Shin que é mais sombria como deve ser, tendo em vista as coisas que acontecem na saga.
A dublagem ficou incrível, conseguiu passar a essência de cada personagem e foi importante para causar impacto em muitas cenas que não foram grande coisa no mangá. Acho que nessa parte da produção, a dublagem é algo bem icônico na série, qualquer lugar que você chegue, dá pra reconhecer tranquilamente a voz da Senritsu, do Gon ou do Hisoka, além de caber muito nos personagens por serem distintas entre si, ainda tem o fator da imersão, nossa... Sem comentários, é uma equipe de dublagem que sabe muito bem passar toda a personalidade dos personagens e todo o sentimento que eles têm ali na hora, dá pra notar mais isso em momentos de ira de tal personagem, percebam.

A trilha sonora é boa e evolui muito a partir do arco de Greed Island, as OSTs são memoráveis e não repetem sempre, pra ser direta, não ficam enchendo o saco. A única coisa nessa parte musical que muita gente critica é que a música Departure da abertura persiste em todos os 148 episódios da obra. Nem liguei pra isso até meados do episódio 120, que o clima é muito tenso e a energia positiva da abertura não condiz com o que se passa, não me irritou nem nada, apenas percebi. Aliás, se fosse escolher entre trocar as músicas e deixar como está, prefiro deixar mesmo, Departure é uma música incrível e me arrepia muito quando eu ouço, independente do clima do anime.

Minha opinião
O enredo no geral foca na decisão de cada personagem, a procura do Gon pelo pai, a situação da família do Killua, a vingança do Kurapika e as pesquisas do Leorio para ser médico. E essa decisão é que vai moldando os acontecimentos, se entrelaçando e fazendo relações entre as sagas, mostrando a individualidade de cada um dessa forma. Claro que existe uma preferência pelo Gon, já que ele é o principal de tudo, mas os outros também existem e possuem um espaço muito maior do que teriam em outro anime.

A individualidade nos personagens e questões de cada um é algo que me chamou a atenção, embora o Togashi não foque nisso a níveis psicológicos, ele mostra isso em ações. Como eu disse, os personagens se juntam, se separam e se reencontram durante toda a obra, sempre buscando seus objetivos, e por que eles querem esses objetivos? O que aconteceu com eles pra quererem isso? Qual é a motivação e qual é o preço a pagar? Coisas assim.

A determinação dos personagens é nítida, o Kurapika, por exemplo, é capaz de fazer muita coisa pra vingar seu clã, é visível em muitas o quanto ele perde a sanidade e seu próprio controle pelo ódio, mas diferente de um Sasuke da vida, o Kurapika é leve, ele não esconde os sentimentos e não vê mal em ter momentos divertidos com o grupinho. É o que corresponderia a uma pessoa normal, não totalmente plana, mas esférica, afinal todos possuem algo a esconder, todos possuem um pouco de bem e mal ao mesmo tempo. Não é preto e nem branco, o mundo é cinza, e os personagens do Togashi também.

Tudo se desenvolve de maneira lenta nas duas versões -apesar do remake ser bem mais corrido- e o entretenimento é quase inteiramente psicológico, resultando em muitas críticas de alguns, mas para mim é um ponto forte do anime, já que o Togashi, o autor, sabe trabalhar o psicológico dos personagens, criando ótimos diálogos bem postos nas cenas. O autor põe elementos que só são revelados depois, mal deixa falhas de enredo e explica tudo o que puder explicar sobre determinada situação em cenas posteriores.

Ah, e não espere lutas. As lutas não são focadas em ação e sim no psicológico, então não vão ver Hunter x Hunter esperando um shounen cheio de porrada -embora tenha potencial pra isso-. Na verdade, esperem um shounen normal só nos dois primeiros arcos e em Greed Island, esses arcos parecem mais infantis e tudo mais -mas ainda assim, acho que a complexidade do enredo, Nen e essas explicações não sejam nada infantis-.

Até hoje me pergunto se isso é shounen mesmo, já que tem vários momentos e até sagas inteiras que você só entende por completo se tiver uma certa maturidade. Tá, shounen é só demográfica, mas acho que aqueles diálogos de HxH não é nada adolescente e legal. O anime tem várias mensagens, não só apenas os clichês shounen sobre valorizar amizade, umas que considero um tanto impactantes e originais, a importância desse anime é realmente séria. É uma pena que, mais uma vez, o mangá tenha entrado em hiato... Eu ia rir, mas chorei.

E sim! O post acabou sem área de spoiler, que coisa, não? Foi uma das primeiras vezes que consegui passar tudo o que eu queria passar sem spoilers, então... Fiquem bem <3

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