28/08/2017

Crítica: Death Note -filme da Netflix-

Desde sábado, o que mais vi na internet foram piadas do novo filme da Netflix: Death Note. Como não tenho Netflix, demorei pra ver, mas cá estou eu! Essa vai ser uma "resenha" um tanto diferente, isso porque vou criticar do início ao fim do post, não necessariamente apenas nas partes indicadas, ok? E outro adendo: Este filme é uma adaptação e sempre foi deixado claro que não ia ser fiel à obra original, então vou criticar com os olhos de quem nunca viu o anime, mas vou citar o conteúdo inicial para vocês entenderem quais as modificações que fizeram no filme. Por último: Não vai ter spoiler durante todo o post, para você que quer fugir dos spoilers.


Sinopse
Light Turner, um estudante relativamente inteligente, encontra o caderno Death Note que todos sabemos que serve pra matar gente e blá blá blá, aí o estudante usa os poderes do caderno sobrenatural para matar bandidos junto com uma "colega de classe" chamada Mia, mas isso acaba atraindo a atenção do detetive L.

Personagens e suas modificações
Descrevi Light Turner como "relativamente inteligente", pois ele não é o gênio Raito que conhecemos, ele é inteligente nas coisas da escola, sabe? Não dá pra notar a inteligência dele em nenhuma outra situação, tirando uma "manobra" no final que particularmente achei forçada, pois mostraram o filme inteiro uma pessoa um tanto medrosa e bobinha, depois no final, ele faz um plano minimamente digno de "Kira", achei que quebrou muito a imagem "estúpida" que passou no filme inteiro, ficou incoerente.

A Mia foi uma personagem que disseram ser correspondente à Amane Misa, mas... Não vejam esse filme com essa mentalidade, a Mia é uma colega de classe de Light e desde o início do filme, os dois trocavam olhares que mostram o quanto eles se admiravam desde sempre. Mia é um tanto manipuladora e impulsiva, a personalidade dela foi coerente do início ao fim e isso me permitiu gostar muito da personagem, é completamente diferente da Amane Misa, mas de um jeito bom.

E temos o nosso L, tão amado L. Não vou falar aqui sobre a escolha do ator, até porque poderia ser qualquer um, pra mim o ator não fez diferença. O que fez diferença foi o quanto ele teve uma postura descuidada e boba demais para ser um detetive. Ele estava indo bem até uma determinada cena, depois dessa cena, ele cometeu deslize atrás de deslize, sem falar que há uma cena no final que ele pensou em fazer algo que distorcia completamente o ideal que ele seguiu durante o filme. Ou seja: Assim como o Light, foi um personagem incoerente.

E a outra mudança drástica foi Ryuuku, que passou a influenciar em algumas cenas ao invés de ser um mero expectador, mas assim como a Mia, foi coerente do início ao fim. Foi um dos melhores papéis junto com o James Turner e o detetive Watari, que salvaram com atuações acima da média geral do filme. Nota: Acima da média do filme não significa bom.

Estética geral do filme
Mediana. Na verdade mediano é a palavra que descreve tudo do filme, não é ruim e também não é boa. Teve muita gente reclamando das mortes exageradas, mas pra mim isso não teve importância, não tem problema ser exagerado, até porque tem lá nas categorias do Netflix "terror adolescente", já era esperado. O problema é que muita coisa ficou caricata por causa das mortes, muito fora de contexto, a ambientação oscilou tanto entre claro e escuro que teve cena muito fora de contexto, cena clara quando deveria ser escura e escura quando deveria ser clara. Querem um exemplo? Olhem essa imagem ao lado. Cliquem na imagem pra ampliar e analisem bem.

Analisaram? Pasmem, esse é o L falando publicamente. Que coisa, não? Achei descuidado demais pra um detetive fodão, mas vamos continuar a análise. Era pra ser uma cena um tanto tensa, mas olha essa ambientação... Está muito clara, e essas roupas escuras com a ambientação clara deu um contraste cômico, simplesmente não dá pra levar essa cena a sério por culpa da ambientação e da escolha de figurino do personagem. Falando em figurino, o que é isso? Um ninja? Um terrorista? Me expliquem.

Eu nunca achei que viveria pra falar uma coisa dessas, mas achei a ambientação "bege" da live action japonesa ainda melhor que a produção da Netflix. Teve cor demais no filme da Netflix, ficou incoerente com a própria proposta do filme, sabe? Eu não tava pedindo uma ambientação totalmente trevosa e tals, mas eu esperava uma coisa minimamente mais "sem brilho". A Netflix fez uma coisa um tanto escura e com cor demais pro meu cérebro trevoso assimilar.

Minha opinião geral
Enredo fraco. De todas as coisas, o enredo é a única coisa que não é mediana, a palavra é "fraco" mesmo. O que matou foi a atuação e a incoerência na personalidades dos dois principais, o que acabou deixando a história fraca e sem precedentes, só as coisas acontecendo sem motivo, sem nada pra explicar. O filme todo é um filminho pra ver aleatoriamente sem compromisso, um filme "sessão da tarde", se não fosse violento com as mortes.

Mas a pior coisa, particularmente foi a falta de "viagens" no filme. Como assim "viagens"? Quando uso esse tempo, estou me referindo a viagens filosóficas sobre o bem e o mal, sobre polícia, o conceito de justiça, o que é justiça? O que faz a pessoa acreditar em justiça com as próprias mãos? O que difere L e Kira? Por que são rivais se ambos acreditam na justiça? Todas essas perguntas e questionamentos são muito bem transpostos e analisados em qualquer mídia que tenha "Death Note" como inspiração. Seja no mangá, anime, live action, obras que foram inspiradas em Death Note... Enfim, esse questionamento sobre justiça é a marca registrada de Death Note, é o que faz Death Note ser o que é, essa filosofia é o que faz a obra ser boa e fazer tanto sucesso.

Confesso que não sou a maior fã de Death Note, mas tenho essa obra como uma obra que nos faz pensar mais sobre o que estamos fazendo, o que faríamos com um caderno desses? É seguro? É certo? Death Note viaja entre o certo e o errado sem nunca afirmar qual é qual, ele deixa à escolha do expectador, é por isso que tem tanta briguinha, qual é o certo? L ou Raito? A obra original nunca respondeu, dando mais força ao pensamento filosófico que a rodeia. Sei que muita gente não usa a obra pra isso, achando legal apenas as mortes e tals, mas eu me permiti pensar muito sobre isso graças a Death Note. Ele é carregado dessa filosofia.

E o filme da Netflix? Nada. Não tem nenhuma filosofia, nenhum questionamento, é literalmente as coisas acontecendo, não é explícito o ideal de ninguém ali, isso me incomodou fortemente, pois tirou o maior triunfo da obra original. "Ah, Hari, mas é uma adaptação, você mesma disse" Sim, é uma adaptação, é uma inspiração, mas eu imaginava pelo menos algum questionamento, sabe? Não necessariamente esse de justiça, podia ser outro. Há muitos questionamentos que encaixaria, mas não fizeram nada. Eu disse acima que essas perguntas estão em todas as obras e adaptações que rodeiam Death Note, realmente esperava isso.

Enfim, eu relevei quase tudo o que a galera estava reclamando, mas tirar a criticidade de Death Note foi a gota d'água e ninguém está falando sobre a perda de filosofia da obra original e é por isso que estou fazendo esse post e encerrando com muita decepção.

2 comentários:

  1. Nao importa quantas vezes eu tente, meu coração doí quando assisto esse filme, o Ryuk dando dicas do que fazer, aquele protagonista irritante, o L, ahh, o L, ele era muito mais cuidadoso no anime, francamente, minha opinião, mas ninguém ganha dos japoneses na criatividade, os brasileiros quase empatam, mas nao chega a ganhar do japao sobre criatividade.

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    1. E você tentou mais de uma? Temos uma pessoa guerreira entre nós, não é mesmo? No filme parece muito que o L é uma criança descontrolada, mds...

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